por: kallyne cristina
Saber lidar com o próximo de maneira íntegra, virtuosa e honesta não é tarefa fácil. Principalmente numa sociedade onde os valores pessoais são cada vez mais distorcidos, acrescidos dos índices que afastam o homem do seu semelhante (competição, injustiça, violência, etc). O principio ético da Honestidade se dá na relação do homem com a realidade, e suas ações e decisões eficientes são pautadas em fatos.
A marca do brasileiro é o seu “jeitinho” pra tudo. Na verdade isto é uma desculpa para as falhas existentes em nosso país, que vão acumulando-se no percusso da nossa história. Diferentemente disto há pessoas que procuram “andar na linha” e ser honesta em seus ideais e crenças. No entanto, são raras as pessoas que dispensam deste nosso “jeitinho”.
Conheci um garotinho que se chama Martins Camilo, 13 anos. Martins é um cearense, vive com os pais e dois irmãos atualmente em Ilhéus. Seus pais trabalham com artesanato e através desta ferramenta puderam viajar por grande parte do Brasil e América Latina. Há alguns dias Martins passeava pela rua e encontrou uma bolsa – com documentos, celular e oitenta reais – depois de encontrar a bolsa ele pegou o celular e ligou para o dono da bolsa, contou o acontecido e informou onde estava com a bolsa.
Segundo Martins, enquanto esperava que o dono viesse buscar a bolsa, seus amigos faziam chacota dele e diziam que ele era otário por devolver tudo ao dono, mas o interessante é que ele não ligou para o que os amigos diziam tampouco para o fato de não ter ganhado nada em troca. Como ele mesmo disse: “Eu não esperava que ele me desse alguma coisa… entreguei tudo porque não era meu, eu só achei. Minha mãe me ensinou a não pegar o que é dos outros, então não peguei”.
Desta forma, não te parece tão simples? É só não pegar o que não é seu. Isto deveria ser um mandamento, principalmente na política. Este menino é um exemplo de alguém que não foi corrompido pelo tal “jeitinho brasileiro”. Talvez isto não tenha feito diferença para pessoa que foi reembolsada, mas fez grande diferença para esse menino que disse: “eu sei que Deus me recompensará um dia na minha vida”.
Como já disse, ações e decisões eficientes são pautadas em fatos. Rui Barbosa de Oliveira – advogado, jornalista, jurista, político, diplomata, ensaísta e orador que nasceu em Salvador, BA, em 5 de novembro de 1849 – nos deixou uma frase que cabe perfeitamente à sociedade atual:
“ De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto…” (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)
Certamente, Martins não teve vergonha de execer a honestidade. Ao contrário, ele contou tudo com orgulho e convicção. Entretanto pode ser que algum caro leitor aqui tenha vergonha de se portar honestamente vez em quando, ou pode ser que alguém ai ainda esteja desacreditado – após ver tantas mediocridades acontecendo. Mas vale lembrar aqui uma outra frase de Rui Barbosa: “Um povo cuja fé se petrificou, é um povo cuja liberdade se perdeu.”
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